Neste tempo de
Natal, pensei muito para escrever um texto que pudesse figurar na
página do site de nossa comunidade aqui em Santo Amaro. Por que pensei
tanto? Tanta reflexão para falar sobre o Natal? É que tentarei escrever
saindo do lugar-comum, da mesmice, dos clichês, jargões, etc. Não
quero ficar preso em frases apresentadas pelo chamado “mundo secular”
e tampouco pelas do chamado “universo religioso”. Não! Peço sabedoria
para falar sobre esta data, sobre este evento, sobre a grande comemoração
do povo cristão de forma que o texto que o leitor esteja saboreando
possa trazer um gosto melhor, mais doce ao seu paladar diante de tudo
o que nos oferecem nesta época que, não raras vezes, são apenas guloseimas
que não nos sustentam e ainda nos fazem muito mal.
Segue a
tentativa: Dezembro, dia 25, nasceu Jesus, o Salvador! O Filho de
Deus, a ação divina estabelecida na terra de forma concreta, palpável,
visível. O infinito se torna finito e habita no meio da humanidade.
O Criador vem habitar com a criatura. Foi um momento sublime e singelo.
Mas, também, divino. Portanto, foi anunciado pelos anjos. Todos participaram
da presença da sublime divindade. Pobres, ricos, reis, pastores, anjos,
mulheres, crianças. Para nós, cristãos, nasceu o Rei Jesus! Ele veio
cheio de graça e de verdade. É importante, como pastor e amigo, lembrar
o meu leitor caminhante que nós cremos nisto, pregamos isto e existimos
em função disto. Só há cristianismo por causa do Jesus que nasceu
em Belém. A graça se fez carne. Ouvi, outro dia, comentários que pessoas
estão tentando afastar do meio cristão a ideia da celebração do Natal.
Eu não creio que isto seja verdade. Se for, são pessoas, no mínimo,
irresponsáveis. Não posso crer que ainda estamos discutindo se foi
ou não dia 25, se foi em dezembro, que “Natal são todos os dias”,
“o Natal está dentro de cada um”. Abomino! Não temos certeza de datas,
épocas etc., mas, leitor amigo, eu tenho certeza: Ele nasceu. Se assim
não fora, por que eu estou aqui gastando o meu tempo e você o seu?
Sim, Jesus nasceu e ouço o hino: “Vinde cantai, Jesus nasceu”. Na
gruta de Belém nasceu o Rei Jesus. Mas é um rei diferente. O seu reinado
não ostenta e não prevalecem injustiças. Ele acolhe a todos. Portanto,
é uma grande comemoração. O mundo que andava em trevas viu grande
luz. Nasceu o bom pastor, o cuidador, que guia, vai atrás dos “súditos”
que Ele não chama de servos, mas de filhos. É o Rei que não fica sentado
no palácio, mas vai viver junto do povo. Que data importante. E, nesta
data, eu não quero ficar repetindo textos dos chamados “cartões de
Natal” modernos, que, em várias línguas, ficam desejando “boas festas”,
“Feliz Natal” etc. Há, também, aqueles cartões que vêm em branco.
Nada está escrito. É o portador que tem de escrever. Pegamos estes
cartões que nos dão a oportunidade de escrever algo diferente, pensamos,
pensamos e na boa e velha língua portuguesa simplesmente escrevemos
“Feliz Natal”. Não criamos nada. Entregamos o cartão para os nossos
pais, irmãos, a esposa, o esposo, os filhos, “os amigos secretos”
apenas com a frase: Desejo-te um ótimo Natal! Ansiei tanto em escrever
este texto, tenho de ser criativo. Eu quero ser mais criativo. Quero
escrever algo melhor do que os textos que lemos nos cartões e ouvimos
nas “promoções de Natal” na televisão, nos meios de comunicação. Muitos
esperam por esta mensagem e muitos a lerão. Que responsabilidade!
Só pela graça do Criador! Afinal, o que mais posso escrever sobre
esta data? Escrever que comemoramos o nascimento de Jesus com neve,
trenó, renas, num país onde a temperatura média ultrapassa os 28 graus?
Escrever que comemos frutas cristalizadas, nozes, castanhas, uvas
passas, que mal conhecemos e nem sabemos como isto é plantado e nasce?
Escrever que muitos afirmam que esta data – dia 25 de dezembro – não
é de fato o seu aniversário, Jesus? Foi algo firmado na história simplesmente
por interesses pessoais, religiosos, políticos? Mas afinal o que isto,
de fato, importa? Vários países o comemoram. Mesmo países chamados
de “não cristãos” de alguma forma param neste tempo. Parece um tempo
mágico. Algo como se a terra parasse de girar ou se chovesse abundantemente
no sertão ou nevasse na Amazônia. Pessoas mudam o foco, caminham apressadas
pelas ruas; passagens áreas ficam escassas, estradas cheias. Famílias
quebram paradigmas e se reúnem. Nas igrejas cantam os corais e músicos
se expressam. Ruas, árvores, prédios, casas são enfeitados. Perus,
frangos, coelhos e leitões vão para o fogão e são assados. Enfim,
tentamos de todas as formas expressar o sentimento, a realidade desta
data. Tudo tem de levar a mensagem: chegou o Salvador. Deus amou o
mundo de maneira incondicional. O Criador se torna como um de nós
e vem ao mundo. Perfeito. Acho que falei tudo. Entendo, entretanto,
que ainda não falei o que de fato eu queria. E o que eu mais queria
falar ao leitor caminhante sobre o significado desta data ficará em
poucas linhas. Mas creio ser algo profundo, e talvez daí a dificuldade
de expressar este sentimento. Quero chegar, finalmente, no cerne do
significado desta data. Ela significa PERDÃO. Sim. Se há uma palavra
que pode expressar o sentido e a razão de existir Natal, a palavra
é perdão. Creio que achei a palavra que eu procurava para expressar
o que precisamos perceber nesta data e comemorá-la. Não há Natal sem
perdão. Cristo só nasceu porque Deus nos perdoou e continua perdoando.
Por isso é que, ainda hoje, comemoramos o Natal. Lembramos, depois
de 2.000 anos, que só estamos neste mundo comemorando alguma festividade
porque Deus, em Jesus Cristo, expressa uma de suas maiores características:
perdão. Infelizmente, o mundo não está comemorando o Natal. Como?,
talvez pergunte o leitor. Pastor, veja as festividades, perceba as
luzes, olhe o movimento nas ruas... Eu respondo: ainda sinto que falta
perdão no mundo. As famílias ainda se torturam em ofensas, os vizinhos
não se cumprimentam, pais não falam com filhos. Enquanto faltar perdão
neste mundo, enquanto a Igreja de Jesus Cristo não exalar fortemente
o perfume de Natal na fragrância chamada perdão, corremos o sério
risco de passarmos pelo Natal sem, de fato, vivenciá-lo. Portanto,
leitor, se você lembrou, enquanto lê este texto, que ainda não perdoou
o seu pai, seu irmão, sua irmã, seus queridos, pare. Dê um tempo.
Ore e peça perdão a Deus. Peça perdão ao seu semelhante e, depois,
perceba na manjedoura o lindo sorriso da criança que nasceu em Belém:
ela está te perdoando. Perdoe a si mesmo, perdoe o seu próximo e peça
perdão a Deus. Comemore o Natal após perceber que você já foi perdoado
e é capaz de exalar perdão. Não sofra por não sentir o perdão de Deus.
Ele quer te perdoar. Não sofra por não perdoar. Siga o Cristo e perdoe.
Quanta angústia por falta de perdão! É Natal. O perdão é o presente
que devemos dar e receber. Se for necessário, chore, sorria, abrace,
beije, mande um cartão, escreva um e-mail, telegrama, carta, não importa.
Mas não deixe de pedir perdão. Não sei se consegui transmitir a você,
meu leitor, uma grande mensagem de Natal. Talvez você termine de ler
o texto e não consiga perceber uma intensa mensagem natalina. Mas
não consigo escrever mais. Confesso o meu cansaço. Por isso eu te
peço: você me perdoa? Se sim, valeu a pena. Você entendeu. Feliz Natal!