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"Assim,
não seremos crianças, joguete das ondas, sacudidos por qualquer vento
de doutrina, pelo engano da astúcia humana, pelos truques do erro. Ao
contrário, com sinceridade do amor, cresçamos até alcançar inteiramente
aquele que é a cabeça, Cristo." (Efésios 4.14-15)
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Tenho
afirmado que fomos criados para viver em comunidade. Paulo escreve o
texto para a comunidade em Éfeso lembrando-os de que a Igreja é o corpo
de Cristo, sendo o comando pensante deste corpo o próprio Jesus Cristo.
O apóstolo orienta que, apesar das diversidades, deveria existir unidade
no corpo. O sacrifício de Jesus Cristo autoriza a união e a unidade
do corpo. Por intermédio do amor de Cristo, o corpo irá crescer e se
fortalecer. Com todos os membros operando juntos, exercendo a função
apropriada, o corpo se constrói a si mesmo em amor. Só existe unidade
quando a buscamos em Cristo. Quando estamos vinculados, recebemos o
alimento do próprio Jesus Cristo. Quando participamos dos sacramentos,
buscamos alimento, nos fortalecemos, crescemos em comunhão e construímos
a unidade. Todos nós dependemos uns dos outros. Você se recorda de que
Jesus enviou seus discípulos de dois em dois? Ele orientou, depois,
que eles perseverassem juntos, na comunhão, no partir do pão e que estivessem
unânimes na oração.
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Só
construímos em unidade. Para isso não podemos perder um importante conceito
no nosso caminhar: estarmos juntos, caminharmos juntos, e isto só é
possível pela graça de Deus.
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Somos
tentados, no mundo pós-moderno, a vivermos uma vida de forma individualista,
e, no individualismo, nos fechamos em torno de nós mesmos e corremos
o risco de vivermos uma vida inconstante e sermos levados por toda sorte
de ventos e doutrinas. Somos corpo, dependemos uns dos outros e não
podemos construir sozinhos os valores do Reino de Deus. Lamento por
aqueles que se dizem cristãos mas não vivem na comunidade. Não sabem
a alegria, a complexidade, a dor, o amor, o respeito, o carinho de ser
parte do corpo. Devemos praticar o crescimento. Imaginem uma criança
crescendo sem a presença dos pais, da escola, da igreja, dos amigos.
Há ainda quem quer crescer na fé de forma solitária. Tenho procurado
estar perto das comunidades, do corpo pastoral. Claro que esta proximidade
ainda é pouca. Falta tempo, o trânsito está cada vez mais complicado,
as distâncias são grandes. Mas eu não quero perder esta oportunidade,
mesmo em meio às dificuldades, com a certeza de que ninguém é tão forte
que não precise do outro. Quem sabe, ao ler este texto, você estará
próximo de um amigo, amiga, sua esposa, seu esposo, seu filho, filha.
Olhe para alguém que vive perto de você e diga: Eu preciso de você!
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Vou
falar sobre a graça sempre. Afinal, somos um povo com uma história.
Meu desejo é que este assunto seja exalado de forma que, quando alguém
passar nas proximidades das nossas igrejas, sinta o suave odor do perfume
da Graça de Jesus Cristo e queira entrar para participar.
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Outro
conceito importante do povo que constrói sob a graça a unidade no corpo
de Cristo: o conceito de comunhão.
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Devemos
viver sob uma comunhão pastoral, cujo supremo pastor é Jesus Cristo.
Deve ser uma comunhão dinâmica. Não se trata de mero consolo espiritual,
de troca de experiências espirituais, como é costume de alguns. Comunhão
é mais. É estímulo mútuo. É ter tempo de perguntar para as pessoas do
seu convívio: Como você está? Está tudo bem? Comunhão não é algo transcendente,
apenas, mas é presente, imanente. Perguntar como está o próximo é sentir
a dor da pessoa, é estímulo para fazer bem ao próximo. O que você deseja
para o teu irmão, o teu próximo? O que você pode fazer para o bem da
pessoa que está perto de você? Como ajudá-la? Jesus Cristo, o supremo
pastor, cuida, conversa, ama, acolhe, abraça, apesar de tudo o que somos.
Somos chamados de cristãs, cristãos, chamados a pastorear uns aos outros.
Creio que somos um grupo de dependentes que entendemos o amor de Deus
e unidos por um laço comum – Jesus Cristo. Muitos nos criticam por nos
reunirmos no mínimo todos os domingos, quando participamos, servimos,
louvamos e adoramos a Deus. É verdade. Afirmo que somos um povo dependente
do amor e da graça de Jesus e não há lugar melhor do que a igreja, a
comunidade, onde reunimos nossos filhos e filhas, nossas crianças, jovens,
todos batizados, participando da comunhão e formando um corpo. Quando
alguém se afasta, ainda vale aquele velho exemplo da brasa que sai da
lareira e acaba esfriando e não aquece mais ninguém. Eu dependo de Jesus
Cristo e estou unido a cada um de vocês aqui nesta tarde por um laço
que ninguém pode quebrar, a não ser eu e você. Este laço se chama Jesus
Cristo. Devemos ser um Povo Missionário Unido. Uma família, e, numa
família, quando um sofre, todos sofrem. Quando um está fora, todos ficam
torcendo para que ele volte logo. Quando um está doente, todos suplicam
para que ele seja curado. Os mais fracos, talvez, devem ser os mais
amados e procurados. É fácil? Não. É evangelho. É a Palavra de Deus
nos orientando. É um apóstolo, aquele que se dizia o menor, chamado
Paulo, nos alertando. Somos um organismo. Apesar da diversidade funcional,
não podemos deixar de perceber o aspecto essencial da correlação, da
interdependência.
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Por
último, a comunidade deve ser concreta, organizada e visível. O mundo
vai ver nossa unidade e vai crer. A comunidade deve ser um elemento
de evangelização, deve ser missionária.
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Alguém
já afirmou que muitas vezes precisamos sair do cenáculo de oração e
partirmos para o quartel. Cantamos vários cânticos sobre general, soldado
de Cristo, lutas, batalhas etc. Mas quase nunca nos alistamos. No cenáculo
nos instalamos, e no quartel nos alistamos. No cenáculo somos servidos.
Que bom! Jesus Cristo serve a Ceia no cenáculo. No entanto precisamos
ser notados, e esta é uma característica de um povo comprometido. Os
comprometidos saem do cenáculo e vão para a luta, vivem para servir.
Estão dispostos a agir na missão no trabalho, no bairro, na comunidade,
na família. Eu creio que todos nós estamos dispostos a nos alistarmos
numa missão que exigirá um crescimento constante pessoal, espiritual
e uma permanente relação social com todos. Você está disposto?
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Tenho
afirmado que a Igreja não é o Reino de Deus. Mas é o laboratório do
Reino de Deus. Lugar onde a expiação do Cristo deve ser notada, onde
a fé deve ser sempre buscada e onde o amor deve ser sempre aplicado.
Você está convidado a participar do Reino de Deus e da comunidade de
fé. Isto requer compromisso com os valores do Reino de Deus, compromisso
com a unidade do corpo de Cristo. Ser cristão é ser carente de comunhão.
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O
Deus dos cristãos é um Deus que ama e necessita ser amado. Há quem afirme
que sem Jesus Cristo não podemos fazer nada. É verdade. No entanto,
queria trazer isto de forma positiva: Com Cristo, podemos fazer muitas
coisas aceitáveis e valorosas das quais o mundo está precisando. Muitos
crerão. Eu entendo que, se ainda não somos, pela graça de Deus podemos
e devemos ser corpo, totalmente ligado, uma família, vivendo o amor
de Cristo. Temos uma história. Mas acima de tudo proclamamos o caminho,
a verdade e a vida: Jesus Cristo! Que o Criador nos auxilie a sermos
amáveis e compassivos uns com os outros, afastando de nós toda amargura,
cólera, paixão, insultos e qualquer tipo de maldade. Não afligiremos
o Espírito de Deus, pois, afinal, cremos que, pela intercessão do Cristo,
fomos chamados para vivermos o Reino de Deus!
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Reverendo
Edvaldo Oliveira
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