“Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Filipenses 2.5)

Tenho afirmado que dependemos da graça de Deus. Entendo que Deus nos perdoa dos pecados e, portanto, “justificados”, mediante a fé em Jesus Cristo, podemos ter paz. Entretanto, também entendo que podemos prosseguir para o alvo da soberana vocação, caminhando em santidade de vida.
A justificação é o começo, e não o final da ação salvífica do Criador. Portanto, creio que posso afirmar que se alguns ensinamentos, dentro do âmbito do cristianismo, podem chamar-se propriamente fundamentais, são eles: justificação e santificação.
Aprendi, e compartilho com o leitor, que justificação é a ação de Deus (graça, favor) de perdoar nossos pecados. Santificação é a ação de Deus (graça, favor) ao renovar a nossa vida machucada, decaída pelas ações pecaminosas oriundas de ações contra o nosso semelhante, contra nós mesmos e contra a natureza. Somos regenerados. Pela graça divina, somos revivificados, novamente gerados. Por isso, podemos afirmar que somos salvos num processo que é aberto pela graça que perdoa, mas que também restaura, transforma, nos faz crescer e possibilita refletirmos a imagem do Criador.
Pense: A graça é santificante e permite ao ser humano tornar-se cada vez mais parecido com o doador da graça, um agente da graça que cuida, liberta e santifica. A graça é obra do Deus Criador, mas pode e deve ser absorvida na vida do ser humano. Esta absorção é, portanto, uma ação humana. Isto só pode ser compreendido a partir da interação do conceito de graça com o de fé, de boas obras e de responsabilidade humana. Isto é processo, é caminho, é santificação.
Neste caminhar, as ações humanas devem se tornar santas, perfeitas, como perfeito é o Criador. O próprio Deus nos proporciona meios para trilharmos o caminho da santificação. Quais meios? Eucaristia, oração, leitura bíblica, participação na vida comunitária.
Estes meios não devem ser usados de forma solitária. Como viver o amor na solidão? Como viver em santidade sem perceber a dimensão social da vida humana? No cristianismo, isto não é possível. Não se vive o cristianismo de forma solitária. Não se vive em santidade sem o próximo.
Ora, você, leitor, já ouviu falar de piedade e de misericórdia. A santificação não ocorre sem que o próximo seja colocado como referência prioritária. Não enfatizo nenhuma experiência de santidade de forma privada em que o indivíduo, apenas, perceba a manifestação da graça de Deus. Isto é possível e necessário, mas não enfatizo isto. Enfatizo a dimensão sociocomunitária do cristianismo, muito mais difícil de viver e mostrar. Justificação e santificação – dimensões da graça, do favor do Criador. Entretanto, a dimensão sociocomunitária se desenvolve na inter-relação. A justificação pressupõe um ato de fé pessoal; a santificação implica na existência do outro, do próximo, tanto no nível familiar, comunitário, eclesiástico como no espaço público (trabalho, escola etc.). Portanto, meu leitor caminhante, eu peço que você responda à pergunta do título deste texto: Amor fraternal e santificação: dá para separar?
Eu espero que você responda de forma prática, vivendo um ano de forma solidária e participativa no seu lar, na igreja, no seu trabalho. A solidariedade transmite o amor de Deus de forma prática e santa. A solidariedade se expressa através do repartir seu tempo, seus dons, suas finanças, seu conhecimento. Não há santificação sem o amor que nos conduz à dimensão social da vida humana.
Termino parafraseando o texto da primeira epístola de Pedro, no seu primeiro capítulo, versículos 15 e 22: “Purifique a vossa alma, pela obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido; amai-vos de coração, uns aos outros ardentemente, pois você foi regenerado não de semente corruptível, mas de incorruptível... pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos...”
Meu leitor, eu e você temos ouvido muito sobre “vida em santidade”. Lembro você da Palavra Bíblica: Deus, que é santo, é amor. Percebe? Creio que não preciso dizer mais nada. Tenho visto tanto tempo gasto correndo-se atrás da “tal santidade”, sem amor, sem prática social, sem solidariedade. Impossível!
Caminhemos e até o próximo encontro!

Rev. Edvaldo Oliveira