Leia aqui o Salmo 121

O grito de socorro do salmista talvez expresse a voz do ser humano diante das situações limites, medos, desafios, angústias.
Em algum momento da vida, todos nós já ficamos perante o nosso futuro nas mãos de outras pessoas, dependendo das decisões dos outros. São os atos dos outros que determinarão o remédio que vamos tomar, o tratamento a ser feito diante da enfermidade, se seremos promovidos ou demitidos, se as nossas carreiras florescerão ou, como esta rosa, que está diante de mim, neste momento que escrevo, murcharão, perderão o seu perfume, a sua beleza. Somos responsáveis por aquilo que acontece nas nossas vidas. Entretanto, muitas vezes, não dependemos de nós.
Quem já não fez a melhor redação possível, como eu estou tentando fazer agora, e foi reprovado diante do olhar mais crítico do avaliador? Quem não deu o melhor de si no seu trabalho e foi criticado pelo chefe? Qual o orador que, pensando ter elaborado a melhor mensagem, não saiu criticado pelo público? Na verdade, estamos, frequentemente, à mercê de outras pessoas, sob uma perspectiva humana.
Recentemente, ouvi de uma pessoa conhecida um ditado, no mínimo, muito estranho: “Viúvo é quem morre”. Ouvi outro mais estranho ainda: “Rei morto, rei posto”. Acho que é isto. Estranhos ditados. Mas pude notar que estes ditos saíram de lábios e, por que não, dos corações de pessoas que foram feridas, magoadas. Trabalharam tanto, se esmeraram tanto nas suas funções e, por situações diversas, se veem desempregadas, à mercê de incertezas, sentindo a ação fria de um mundo onde o mercado, o ganho, o lucro, as metas, os bônus estão acima de qualquer sentimento humano. Ainda pior, lá no meio da conversa, escutei um eco da voz de alguém dizendo: é assim mesmo, contente-se, pois poderia ter sido pior. Pior? Há algo pior do que não ouvir a gratidão, a solidariedade, o carinho, a compensação, o amor do semelhante, do colega de serviço, do superior do trabalho, da família, daqueles que pensávamos ser nossos amigos e até chamávamos de irmãos?
Socorro, Senhor! Pois o Senhor nos chama a ser pacificadores, solucionadores de conflitos no meio deste mundo, por vezes, tão hostil. É isto. O salmista, diante de situações semelhantes, pede socorro ao Criador. Creio que estamos ouvindo o clamor de um ser humano extremamente necessitado, desapontado, ferido, buscando ajuda, que só encontra no seu Deus. Peregrino e solitário, ele busca ajuda em Deus, que pode mudar a história, interferir nas situações e decisões dos outros e mudar as circunstâncias. Deus, para o salmista, é o seu guardião. É Ele quem o guarda em meio ao forte calor do sol e na longa noite escura e fria. Nas entradas e saídas, agora e sempre.
Por, talvez, estar diante de um “não” quando esperava um “sim”, diante de um “não foi aprovado”, quando esperava um “foi aprovado”, diante de um “sim, é maligno”, quando esperava “sim, é benigno”; o salmista eleva os seus olhos e contempla as montanhas de dificuldades e, diante delas, afirma: “O meu auxílio, o meu socorro vem do Senhor”. O meu Guardião é maior que a própria morte! Eu posso confiar no meu Deus.
Meu leitor caminhante, peregrino, o Deus em quem nós cremos não deixará que os nossos pés tropecem em nenhum momento das nossas vidas. Talvez você, assim como eu, precise elevar o olhar. Tento redigir este texto e, enquanto o faço, me defronto com a extrema dificuldade de conviver com minha mãe hospitalizada há mais de dez dias. Segundo os médicos, o seu estado é terminal. A vontade é de ficar cabisbaixo, olhando para o chão, desanimar. Por vezes, parece que não consigo perceber que não estou sozinho diante do tamanho da enfermidade que a assola.
Sinto-me impotente. De repente, deparo-me diante desta joia da Palavra de Deus, que assegura proteção para mim, para ela e para os meus familiares. Estamos todos nós numa viagem perigosa. A viagem da vida. Enfermidades, pessoas, situações, tempestades, circunstâncias estão aí para abalarem a nossa peregrinação. Olhemos para as montanhas. Não com medo, mas com coragem. Talvez, elas representem as dificuldades, as ansiedades. Entretanto, no momento em que “montanhas” destes sentimentos quiserem me abater, te abater, vamos lembrar juntos: O Senhor guarda a nossa caminhada, atravessaremos, passaremos, venceremos. Alcançaremos a ascensão nos dirigindo a Deus.
O nosso Deus não está confinado em um lugar ou em uma época. Ele está aqui comigo, no meu momento, e está aí com você, no seu momento. Ele é maior do que a dor, o sofrimento, os inimigos. Ele é maior que o nosso maior inimigo: a morte. Ele a venceu, Ele ressuscitou. Nós venceremos.
Você está abatido, desanimado, cansado, já não acredita mais nos amigos, informações, trabalho, instituições? Olhe para o céu. Não com a arrogância e a prepotência do fariseu, lembra-se? Não. Olhe para o céu porque pela graça de Deus eu e você somos os pecadores, os sofredores aceitos e amparados pelo Cristo Sofredor. Não confiamos na piedade dos outros – pode falhar –, mas confiamos na piedade do Senhor Jesus.
Que este texto possa te ajudar – assim como está me ajudando –, com muita humildade, a olhar para cima. Quem ainda me permite erguer a cabeça e olhar para cima a despeito das inseguranças é a graça e o favor de Deus. Não é a religiosidade, muitas vezes falsa. Mas é o favor de Deus.
Eu creio que é o meu tempo de clamar por socorro. Se também for o seu, vamos clamar juntos: Socorro, Senhor! No entanto, vou olhar para cima, para além dos problemas e confiar no Deus que já guardou a minha entrada neste mundo e, com certeza, guardará a minha saída dele. O Senhor que muda sentimentos, revigora, transforma e modifica situações guarda a minha vida. Eu quero crer nisto. Você quer crer também?
A minha fé está na piedade de Deus. É ela que sempre vem ao meu encontro, ainda que muitos insistam em pensar o contrário...
Fevereiro de 2010. Tempo de perceber o socorro do meu Deus!
Com carinho,

Pastor Edvaldo Oliveira