O ADVENTO é o tempo que marca o início do calendário litúrgico cristão.
Sua origem é documentada a partir do século IV a.C.. Semelhante à preparação da Páscoa, expiação de Cristo, o Advento surge como preparação para o nascimento de Jesus, o Natal.
Advento, do latim adventus, significa “vinda”, “espera”. Trata-se de uma celebração onde o foco é a expectativa da vinda do Messias, o Cristo prometido. Este período, que celebra a espera do Messias, pode ser dividido em duas partes: os dois primeiros domingos enfatizam o Advento Escatológico e o terceiro e quarto domingos a Preparação do Natal de Cristo. A quadra litúrgica do Advento tem também a dimensão da expectativa da segunda vinda de Cristo, bem como a expectativa da chegada do Messias que concretiza o reino de Deus, o “já” e o “ainda não”, tensão dialética que significa viver a espera do cumprimento das promessas e renovar a esperança no reino que virá.
CORES: No Advento usam-se o roxo, o lilás e o rosa. O roxo significa contrição, daí a matização no sentido de ir clareando conforme a chegada do Natal. O rosa geralmente é usado no quarto Domingo do Advento, que simboliza a alegria.
O segundo tempo litúrgico desse ciclo é o NATAL. Esta celebração teve sua origem em meados do século IV d.C.; entretanto, sua aceitação como festa cristã ocorreu no século VI d.C.. O Natal surgiu com a finalidade de afastar os fiéis da festa pagã do natale solis invictus (“deus sol invencível”), e passou a significar a chegada do Messias, o “sol da justiça” (cf. Ml 4.2) já anunciado e aguardado no Advento. Natal, na acepção da palavra, significa “nascimento”; entretanto, para os cristãos e cristãs a partir do século IV d.C., este significado é ainda mais profundo, pois com o nascimento de Cristo celebra-se “o Verbo que se fez carne e habitou entre nós”, o Deus infinitamente rico se faz servo e habita entre os despossuídos da terra. É este Verbo que atrai para si toda a criação a fim de reintegrá-la ao projeto salvífico de Deus. A espiritualidade desse período enfatiza a humanidade de Cristo e a salvação que nele é absoluta.
CORES: Para o Natal utilizam-se as cores branco e/ou amarelo, símbolos da divindade, da luz, da glória, da alegria e da vitória que o nascimento de Cristo representa para a humanidade.
O terceiro tempo desse ciclo é a EPIFANIA, que surgiu no Oriente como festa de manifestação do Cristo encarnado. Somente a partir do século IV d.C. passou para o Ocidente a fim de rememorar a visita dos magos ao Messias que havia chegado. Epifania, do grego ephifaneia significa “manifestação”, “aparição”. Antes de tornar-se um termo utilizado pelos/as cristão/as, significava a chegada de um rei ou imperador. A partir de Cristo, tem a conotação de manifestação do divino ao mundo, que no Primeiro Testamento era expressa pelo termo “teofania”. Esse tempo celebra a manifestação de Cristo aos seres humanos, no momento em que os reis do Oriente seguiram a estrela em busca daquele que viria a ser o salvador por excelência. A Epifania é para o Natal o que o Pentecostes é para a Páscoa, isto é, de Cristo em favor da humanidade. A espirtualidade deste período é caracterizada pela manifestação e aparição de Cristo ao mundo. É o Cristo prometido que se torna uma realidade na vida de mulheres e homens que procuram a paz, a justiça e o amor.
CORES: Na Epifania usa-se o branco por oito dias e após o amarelo até o domingo do Batismo do Senhor.
O BATISMO DO SENHOR é celebrado no primeiro Domingo após Epifania, e representa o início da missão de Jesus no mundo. Este tempo é parte da manifestação de Jesus aos seres humanos, por isso trata-se de uma continuidade da Epifania. Diferenciando-se pelo fato de que na Epifania é o ser humano (representada pelos magos) que vai a Cristo, ao passo que com o Batismo do Senhor é Deus (por meio de Jesus Cristo) que vem até o ser humano, a fim de cumprir sua missão. Por isso a espiritualidade desse dia é marcada pela missão iniciada por Jesus em prol dos menos favorecidos e injustiçados. Com o Batismo do Senhor termina o Ciclo do Natal, dando início ao Tempo Comum, ou Tempo após Epifania.
Além dos dois ciclos festivos, o “Ano do Senhor”, também contempla 33 ou 34 semanas, situadas entre o Natal e a Páscoa. Esse período recebeu a designação TEMPO COMUM por contrapor-se à época festiva do Ano Cristão. O fato de haver um Tempo Comum ressalta o significado de que Deus não é Senhor somente das coisas extraordinárias, mas também o é do cotidiano. Enfatiza a presença constante e amorosa do Pai na caminhada do povo rumo à plenitude do Reino. A cada celebração, antecipamos a eterna liturgia do céu, para o qual nos preparamos, dia-a-dia, tanto no tempo festivo como no tempo comum. Ao longo da história, várias iniciativas foram tomadas no sentido de oferecer alternativas à liturgia do tempo não festivo. Para exemplificar com algumas mais recentes e próximas, citamos a formalização, na década de 30 nos EUA, de uma proposta que sugeria a criação de um novo período, o “kinkdomtide” (Ciclo ou Tempo do Reino). Essa proposta tem de positivo o fato de enfatizar menos o aspecto eclesiástico-institucional e mais o teológico-missionário do período. Entretanto, a postura mais amplamente adotada pelos protestantes do mundo todo, foi a de designar as duas partes do Tempo Comum como sendo “Tempo após Epifania” e "Tempo após Pentecostes”, respectivamente. Na Igreja Metodista no Brasil, o Rev. Messias Valverde propôs uma organização do Ano Cristão dividido em Estações Litúrgicas, das quais destacamos a Estação da Criação, com uma preocupação ecológica e escatológica. Para manter a sintonia com a maioria das Igrejas Cristãs ao redor do mundo, optamos pela adoção do Calendário Ecumênico, mundialmente utilizado tanto pela Igreja Metodista quanto pela maioria das Igrejas Protestantes. Não obstante, tomamos o cuidado de levar em conta as várias contribuições das propostas às quais nos referimos, principalmente no que diz respeito ao desafio ecológico próprio da proposta brasileira da estação litúrgica da Criação – relacionada com a Justiça, Paz e Integridade da Criação – e a ênfase na centralidade do reino de Deus, da proposta norte-americana da década de 30.
TEMPO COMUM - (1ª parte) - Anuncio do Reino (Após Epifania)
A primeira parte do Tempo Comum tem início na segunda-feira após a comemoração do Batismo do Senhor e vai até a véspera da Quarta-feira de Cinzas, quando começa a Quaresma (Ciclo da Páscoa). Sua espiritualidade enfatiza o anúncio do Reino de Deus e visa à esperança e à pregação da Palavra.
TEMPO COMUM - (2ª parte) Vivência do Reino (Após Pentecostes)
A Segunda parte do Tempo Comum que também é o período mais longo, começa na Segunda-feira após Pentecostes e dura até a véspera do Primeiro Domingo do Advento, quando tem início o Ciclo do Natal. Sua espiritualidade comemora o próprio ministério de Cristo em sua plenitude, principalmente aos domingos e enfatiza a vivência do Reino de Deus e a compreensão de que os/as cristãos/ãs, são o sinal desse Reino. Se na primeira parte do Tempo Comum a ênfase é no anúncio, na Segunda é a concretização do Reino de Deus.
CORES: Em ambos os períodos do Tempo Comum, usa-se o verde como cor litúrgica, sinalizando a Criação, a perseverança e a constância - que pode ser combinada com o dourado (cor da realeza) indicando a combinação da Nova Criação com o Senhorio de Cristo (principalmente na celebração do último Domingo do Tempo Comum, chamado de Domingo de Cristo, Senhor do Universo).
CICLO PASCAL - Origem
É composto pela Quaresma, Semana Santa, Período de Páscoa e se encerra no Pentecostes. Formou-se a partir de um processo de reflexão e sistematização do cristianismo, que vai do primeiro ao quarto século da Era Cristã. A partir deste ciclo se constituiu todo o calendário litúrgico. Nas comunidades primitivas, era comum a reunião no primeiro dia de cada semana na qual celebrava-se a memória de Jesus. A origem do culto cristão está em torno dessa “Páscoa Semanal”, que ocorria no chamado “Dia do Senhor”. Em boa parte por influência do judaísmo cristão, desenvolveu-se uma celebração anual da Páscoa como um “grande dia do Senhor”, cuja festa se prolongava por cinqüenta dias, sendo o último, o dia de chegada do Espírito, o Pentecostes Cristão, isso já no século II. No século IV, desenvolveu-se a tradição de reviver a refletir de um modo mais sistematizado, os momentos da paixão, isso deu origem às celebrações da Semana Santa. Desde o século III as vésperas da Páscoa já eram dias de reflexão. Os catecúmenos que por dois anos vinham sendo preparados, agora eram acompanhados por toda a comunidade. Inspirando-se nos quarenta dias de preparo de Jesus para seu ministério, nasceu o período da quaresma. Assim, em torno da celebração da morte e ressurreição de Jesus, desenvolveu-se todo o Ciclo Pascal do Calendário Litúrgico Cristão, marcado pela penitência e confissão, mas também pela alegria e exultação do crucificado e ressuscitado.
QUARESMA (da Quarta-feira de Cinzas ao Domingo de Ramos)
Período onde se enfatiza a importância da contrição, do preparo e da conversão. Inicia-se no quadragésimo dia antes da Páscoa, sem contar os domingos. O início na Quarta-feira de Cinzas retorna à tradição bíblica do arrependimento com cinzas e vestes de saco (Jn 3.5-6). É momento oportuno para refletir sobre a confissão e o valor do perdão de Deus. Sua espiritualidade enfatiza momentos de preparo na história bíblica geral e da vida de Jesus.
• Quarenta dias de Jesus no deserto (Mt 4.2; Lc4.1ss)
• Quarenta dias de Moisés no Sinai (Êx 34.28)
• Quarenta anos do povo no deserto (Êx 16.35)
• Elias em direção a Horeb (1Rs 19.8)
CORES: roxo ou lilás. Essas cores enfatizam a preparação, a expectativa, a saudade, a contrição e o arrependimento. Notemos que o roxo é a mistura de uma cor quente – o vermelho e uma cor fria – o azul – isso é representativo da tensão própria de um período como este, onde é central a expectativa do “já” e do “ainda não” do Reino.
SEMANA SANTA
Inicia-se no Domingo de Ramos, celebração de Cristo como o Messias, salvador dos pobres, o rei dos humildes. Reflete-se passo a passo os últimos momentos até o ápice da paixão, passando pela instituição da Eucaristia, pelo lavapés, a traição, prisão e crucificação do Senhor. Este é o momento da vigília de preparo para a ressurreição. Sua espiritualidade chama-nos a atenção para os momentos finais de Jesus até o ápice de sua paixão.
• A Santa Ceia (Mt 26.17-30)
• O Lavapés (Jo 13.1-17)
• Jesus no Getsêmani (Mt 26.36-46; Mc 14.26-31)
• O julgamento e a crucificação (Mt 27; Mc 15; Lc 23; Jo 19)
CORES: roxo e particularmente na Sexta-feira Santa usa-se o preto. Esta cor denota a morte e o luto.
PÁSCOA
É a festa da ressurreição e da libertação, um novo Êxodo ocorre, e a humanidade passa do cativeiro da morte para a vida. Sua solenidade pode iniciar-se já na Quinta-feira (instituição da Ceia). Contudo a celebração da ressurreição começa com uma vigília na noite de Sábado encontrando sua plenitude no romper da aurora, quando Cristo é lembrado como o sol da justiça que traz a luz da nova vida, na ressurreição. A espiritualidade norteadora aponta para a ressurreição nos mais variados relatos das comunidades do século I d.C.
• A ressurreição (Mt 28.1-20; Mc16.1-8; Lc 24.1-12; Jo 20.1-18; At 1.14)
• Cânticos Pascais (Sl 113 ao 118 e Êx 12)
CORES: branco ou amarelo-ouro Simbolizam a luz, a glória, a alegria, a vitória e a divindade.
PENTECOSTES
Entre os hebreus, era comum a celebração da chamada “festas das semanas”, isso porque ela se dava sete semanas após a Páscoa. Nela, o povo dava graças ao Senhor pela colheita. Mais tarde, adquiriu mais uma dimensão celebrativa, a da proclamação da lei (instrução) no Sinai, cinqüenta dias após a libertação do Egito. Na era cristã, o Pentecostes tornou-se o último dia do ciclo pascal, quando celebra-se a chegada do Espírito Santo como aquele que atualiza a presença do ressuscitado entre nós, dando força para que as comunidades sejam testemunhas de Jesus na história. A espiritualidade que nos orienta nesse período fala da presença consoladora do Espírito que semeia nos corações a esperança do Reino de Deus e nos impulsiona para a missão.
• Festa das semanas (Êx 34.22; Lv 23.15);
• Jesus promete o Consolador (Jo 16.7);
• Jesus ressuscitado sopra seu Espírito (Jo 20.22);
• A chegada do Espírito Santo no dia de Pentecostes (At 2).
COR: vermelho. Essa cor simboliza o fogo e o sangue dos mártires, é a cor das celebrações do Espírito Santo e da Igreja: Pentecostes.
A pregação do Evangelho é tanto mais eficaz quanto melhor for a comunicação da Igreja. Comunicação é mais do que discurso, pois se dá no nível verbal e não no nível não-verbal. A Igreja evangeliza não somente pelo que ela fala, mas também (ou principalmente) pelo que ela demonstra. Dizem os estudiosos que mais de dois terços da área cerebral humana é destinada ao processamento de informações visuais. Assim, cada vez mais, fica evidente a importância da comunicação visual. E a combinação de cores é um importante elemento no estímulo à percepção visual humana.
Assim como as parábolas foram utilizadas por Jesus como recurso comunicativo para estimular a imaginação (imagem + ação) de seus discípulos, a Igreja emprega recursos visuais, principalmente na ambientação de seus espaços cúlticos, visando ao anuncio do Tempo da Graça. E foi com a experiência acumulada ao longo da história da Igreja, que o emprego das cores nos lugares de culto deixou de ser feito de maneira aleatória, para ser usada com critérios estéticos e teológicos.
Secularmente, o estudo das cores passou a ser feito mais sistematicamente no período do Renascimento, por Alberti que relacionou as cores com os quatro elementos da natureza: vermelho – fogo, azul – ar, verde – água, cinza – terrra; e por Leonardo Da Vinci, que propôs a seguinte simbologia cromática: branco – luz, amarelo – terra, verde – água, azul – ar, vermelho – fogo, e preto – trevas.
Desde então, confirmou-se, cientificamente, que as cores afetam o metabolismo humano basicamente da seguinte maneira: as cores quentes (vermelho, amarelo) aceleram o batimento cardíaco e aumentam a pressão arterial; ao passo que as cores frias (azul, verde) acalmam e relaxam.
Geometricamente, as cores são assim representadas: quadrado – vermelho (que sugere ação centrífuga, i.e., do centro para fora), círculo – azul (que sugere ação centrípeta, i.e., de fora para o centro) e triângulo – verde (que sugere estabilidade).
Com estas informações fica mais fácil entender por que a Igreja convencionou o uso do vermelho para o período de Pentecostes, pois é uma época de missão (de dentro para fora); e o uso do verde para o Tempo Comum, sugerindo a estabilidade e a persistência dos fiéis no cotidiano.
Rev. Luciano José de Lima, Rev. Luiz Carlos Ramos e Revda. Suely Xavier dos Santos
Extraído de http://www.educacional.com.br/metodista/met_cal_bd.asp?codtexto=616