O batismo é um sacramento, ou seja, um meio de graça instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, sinal visível da graça invisível. Assim nos ensinam os Cânones, os princípios que fundamentam a missão e organização da Igreja Metodista. O batismo é uma cerimônia simples, mas de grande valor para a Igreja, desde os primeiros tempos do cristianismo. Pelo batismo, os(as) cristãos(ãs) testificam o novo nascimento e sua participação no Corpo de Cristo, a Igreja. O livro de Efésios 4.4-6 diz: (...) “há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”. O batismo único a que se refere este texto é o que está relatado no livro de Mateus 28.19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Aí está o que é central no batismo. Infelizmente, porém, questões secundárias envolvendo o batismo têm dividido as igrejas cristãs e mesmo membros de uma mesma denominação.
Aqui, buscamos esclarecer as dúvidas mais frequentes, utilizando como fontes de informação os Cânones, o Ritual da Igreja Metodista, a Pastoral do Colégio Episcopal sobre Batismo e a consultoria do Bispo Nelson Luiz Campos Leite.

Tenho visto muitas igrejas metodistas fazendo batismos por imersão. O correto não seria por aspersão?
Existem três formas tradicionais de batismo: com aspersão (aplicação de água com a mão sobre a cabeça do batizando), derramamento (com ambas as mãos, derrama-se água sobre a cabeça do batizando, estando este, geralmente, com parte do corpo dentro da água) e imersão (o batizando é submergido na água). Segundo os Cânones, a Igreja Metodista pratica comumente a aspersão, mas reconhece como igualmente válido o batismo por derramamento ou imersão. A celebração de batismo por derramamento ou imersão realiza-se por pedido expresso do batizando, desde que fique claro para a pessoa ou pessoas que serão batizadas o reconhecimento da validade plena do batismo por aspersão. Cabe ao pastor ou pastora fazer essa orientação.

Eu acho que o batismo correto tem quer ser por imersão. Ele simboliza que morri para o mundo e nasci para Cristo.
Todas as três formas de batismo são corretas, porque o que importa não é a forma, mas o profundo significado deste sacramento. É o que explica o Bispo Nelson Luiz Campos Leite: “Nos dias de hoje dá-se muita importância à forma em que o batismo é realizado”, diz ele. Essa centralidade na forma de batismo é uma “idolatria moderna”, tirando a pessoa de Jesus do centro do ato, alerta o bispo. “Mas não há mérito na forma de batismo. A forma é um sinal de algo interior: a graça divina, que ocorre no interior da pessoa e é expressa no acolhimento de Cristo na vida. Morrer e ressurgir com Cristo ocorre em qualquer forma de batismo”.

Converti-me recentemente, mas fui batizado na Igreja Católica quando criança. Para ser recebido como metodista devo me batizar novamente?
Não, a menos que você queira. O batismo de adultos será aplicado a pessoas que, não tendo sido batizadas na infância, desejam filiar-se à Igreja Metodista, após professarem publicamente sua fé em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador pessoal. Mas o pastor ou pastora não pode negar o batismo às pessoas que, tendo sido batizadas na Igreja Católica desejam, por questão de consciência e mesmo após orientação pastoral e doutrinária em contrário, submeter-se ao novo ato de batismo. É importante ter clareza que ninguém se batiza em nome de uma denominação, seja ela qual for. Os Cânones trazem um esclarecimento simples e preciso a respeito deste assunto: “O Batismo é com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Sou metodista desde criança, mas era frio na fé. Agora, tive um encontro com Deus e sinto que o batismo que fiz na infância “não valeu”. Posso me batizar novamente?
Se você quer renovar os votos do batismo, reafirmando seus compromissos de membro da Igreja e confirmando sua aliança com Cristo e a missão, a Igreja Metodista recomenda que você faça um ato litúrgico de “reafirmação dos votos”. Tem havido muito rebatismo no meio evangélico, lamenta o Bispo Nelson Luiz Campos Leite. “Há pessoas que se batizam duas, três, quatro vezes ou passam a vida inteira se "rebatizando". Na verdade essa pessoa não tem a segurança na graça de Cristo, sua Pessoa e obra e busca compensar com atos humanos a imaturidade de sua fé”, afirma o Bispo.

Minha filha tem apenas dois anos. Não preciso esperar que ela tenha compreensão da fé para levá-la ao batismo? Diz a Bíblia: “Quem crer e for batizado será salvo; mas o que não crer será condenado” (Mc 16.16).
Se você considerar o contexto dessa passagem bíblica, verá que Jesus está se referindo a adultos que ouvem, entendem e rejeitam o Evangelho. Segundo a Pastoral do Batismo, esse texto não deve ser aplicado à compreensão da prática do batismo infantil, mas à incredulidade e dureza do coração de adultos que ouviram os discípulos mas não creram. O livro de Marcos 10.13-16 diz o seguinte: “Então lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o Reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava”. Neste texto Jesus afirma que as crianças são membros do Reino de Deus e, além disto, padrão para ingresso no Reino de Deus. Por isso, cabe aqui pergunta semelhante a que Pedro fez aos seus companheiros na casa de Cornélio: “Porventura pode alguém recusar a água para que sejam batizados estes (todos; Atos 10.44 / 11.14 / 16.33 / 1 Co 1:16) que, assim como nós, receberam o Espírito Santo? (Atos 10.47). Ou seja, como negar o símbolo que é o batismo com água, àqueles a quem Deus já deu a essência que era o próprio Batismo com Espírito Santo? Da mesma maneira, não há como negar o Batismo às crianças quando Jesus, o Senhor da Igreja, declara que delas é o Reino. Afinal, não é o Batismo um ritual simbólico de iniciação na comunidade do Reino de Deus, a Igreja? Sendo assim, que direito nós, os adultos, temos de impedir o acesso de uma criança ao Batismo, quando Jesus a declara como membro natural do Reino de Deus? Uma pessoa que tenha sido batizada quando criança na Igreja Metodista poderá, a partir de oito anos de idade, fazer o ritual de “profissão de fé”, por meio do qual ela confirma o pacto batismal feito em criança e torna-se membro da Igreja Metodista.

O Bispo Nelson alerta que interpretar o batismo infantil à luz do significado do batismo do adulto “é um grave erro bíblico e teológico”. Enquanto o batismo de adultos é sinal de regeneração, ou de novo nascimento,o sentido do batismo de crianças é a consagração da criança a Deus, e sua inserção na comunidade de fé.

Gostaria muito de chamar uma amiga para madrinha do meu filho. Mas ela é solteira. O padrinho pode ser um outro amigo, que não tenha relação de parentesco com a madrinha?
Sim, não é necessário que as testemunhas sejam um casal. Não é necessário nem que sejam apenas duas pessoas. Os Cânones da Igreja Metodista não determinam a quantidade, sexo ou estado civil das testemunhas. O que é importante é que haja “a garantia de que entre pais e testemunhas haja quem possa assumir todas as responsabilidades exigidas pelo cerimonial. (p. 63 da edição de 2007). O pastor ou pastora metodista, antes de celebrar o batismo de crianças, orientará os pais (ou responsáveis pela criança) e as testemunhas em curso quanto às responsabilidades exigidas na ministração do sacramento, destacando os seguintes pontos, descritos no Ritual:
O ato de apresentação da criança, quando de sua primeira ida à igreja, não substitui o ato do batismo.
O sentido cristão da responsabilidade na educação de crianças.
O sentido bíblico do batismo de crianças como consagração da criança a Deus, e sua inserção na comunidade de fé.
As implicações da responsabilidade dos pais e testemunhas, assumida no ato do batismo.
A importância do ato da confirmação do pacto batismal, como profissão de fé em Jesus Cristo, daqueles que foram batizados na infância.
O lugar da Igreja e da família na educação cristã da criança.

Nunca consegui fazer com que minha filha e meu genro frequentassem a Igreja, mas minha netinha vai comigo à Escola Dominical todos os domingos. Apesar de não serem crentes, os pais não se opõem. Minha neta pode ser batizada na Igreja Metodista, mesmo que os pais não sejam convertidos?
Sim. O batismo de crianças é realizado quando pelo menos um dos pais ou responsáveis for membro da Igreja Metodista. Se os pais não forem metodistas, pelo menos uma das testemunhas deve ser membro da Igreja e, consequentemente, assumir a responsabilidade de continuidade da educação cristã da criança.

Assisti a um batismo infantil muito diferente. Além da água, também se usava mel e óleo como símbolos. Mudou o ritual?
Não, o ritual continua o mesmo. Mais uma vez recorremos aos Cânones: “O Batismo é com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, por aspersão, derramamento ou imersão” (p.64, da edição de 2007). É um ato simples, mas de profundo significado, descrito no Ritual da Igreja Metodista. Não há proibição do uso de outros elementos simbólicos na cerimônia, desde que a água seja o elemento central.

Tenho um sobrinho que está gravemente doente. Temo que ele faleça sem receber o batismo. O pastor pode realizar o batismo na casa dele?
Sim, ele pode, mas é preciso que fique bem claro para os pais (ou responsáveis) e as testemunhas o significado bíblico do batismo como sacramento: o batismo não salva, mas anuncia a salvação da qual a criança participa, batizada ou não, conforme o ensino bíblico. Nós cremos que toda criança nasce salva, é delas o Reino. Ainda que ela faleça sem o batismo, ela será acolhida com todo o amor pelos braços do Pai. (¹)

O Batismo infantil
O metodista Donald Raffan, num artigo publicado pelo Expositor Cristão na década de 80, diz que “os Documentos da Igreja Metodista referem-se ao batismo como um "sinal visível da graça de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual nos tornamos participantes da comunhão do Espírito Santo e herdeiros da vida eterna". Note-se aqui que é pela graça em Cristo e não pelo batismo que nos tornamos "participantes"! O Batismo é o gesto humano (exigido por Deus) do reconhecimento dessa graça. Jesus morreu por mim antes mesmo que eu soubesse, antes mesmo que eu tivesse consciência disso, mesmo quando eu era criança e bebê de colo.
O Batismo infantil faz parte do corpo doutrinário e da prática de fé da Igreja Metodista. Mais do que teoria, é o reconhecimento da graça sem limite de Deus sobre a vida das crianças, ao longo da história.
Nós cristãos evangélicos metodistas cremos que a Aliança de Deus com o seu povo sempre incluiu as crianças (veja, por exemplo, Dt 29:10ss, At 2:39). Inúmeras vezes Deus chama as crianças (Jr 1:5; 1Sm 3; Lc 1; Gl 1:15). Revelando que nosso Deus não faz acepção de pessoas (Tg 2:9; Lc 10:21; Pr 28:21). São os seguidores de Jesus quem geralmente fazem acepção de pessoas. Foi assim, por exemplo, com o cego de Jericó (Lc 18:39), com Zaqueu (Lc 19:7), e com as crianças (Lc 18:15). Daí a necessidade de orarmos e vigiarmos continuamente para não cairmos na tentação de construir muros onde Jesus deseja pontes.
A Nova Aliança além de não excluir os judeus e as crianças, inclui de forma explícita as mulheres que não podiam ser circuncidadas mas podem ser batizadas e também os gentios. De forma que a partir desta aliança vemos famílias inteiras (a família naquela época incluía os escravos e todas as pessoas na casa!) serem batizadas em nome do Senhor Jesus. As famílias de Lídia (At 6:15); de Estéfanas (1Co 1:16) e do carcereiro de Filipos (At 16:31-33).
Algumas pessoas contrárias ao batismo infantil, quando citamos esses textos bíblicos, afirmam que não há menção explícita de que havia crianças nas famílias batizadas. Mas esse mesmo argumento pode ser usado de uma outra maneira, pois o texto Bíblico, não diz que não havia crianças nem proíbe que crianças sejam batizadas.
Em toda a Palavra do Senhor, de Gênesis a Apocalipse, não há explicitamente nem nada que insinue que as crianças não fazem parte do Reino de Deus e da Nova Aliança em Jesus e nem que as crianças não devam ser batizadas. Tudo que existe são interpretações diferentes (daí tantas igrejas e tantas doutrinas!) da Palavra de Deus, onde pessoas, comunidades, denominações e tradições, baseados em versículos ou na experiência de um ou outro personagem bíblico optam por não batizar crianças.
Recorrendo novamente ao que Deus colocou no coração e nos lábios de Donald Raffan, quando ele relembra que “quem exclui as crianças da graça completa de Deus, não pode reconciliar sua ação com as palavras de Jesus em Mc 10:15 ( "Em verdade vos digo; quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele"). Para Jesus a criança é plenamente aceita: "dos tais é o Reino de Deus" (Mc 10:14). Estes versículos trazem uma riqueza muito importante ao evangelho e ao Cristianismo. Em poucas palavras, o coração de Deus está aberto! Deus não faz acepção de pessoas! O Reino de Deus não é só dos adultos. A graça de Deus não tem limites. Em 2Co 5:19, Paulo diz que "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo..."A graça é de fato oferecida a todos! (...) negar a graça de Deus a uma criança é uma ofensa a Deus e uma negação de sua obra em Cristo. O batismo é o início do processo de nutrição e desenvolvimento espiritual.“
O batismo, segundo Donald Raffan, é sinal da "graça" vinda de Deus. É a declaração da ação de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) a nosso favor: a graça oferecida a todos (Rm 5:18). A graça não pode ser limitada à idade. Qual a idade a que seria limitada? (...)
Levantamos também a mesma pergunta sobre comunhão do Espírito Santo. Em que idade começa tal comunhão? Paulo e outros no Novo Testamento usam a expressão "herdeiros" (Rm 8:17; Gl 3:29 ; Gl 4:1-7; Hb 6:7; 1Pe 3:7). O herdeiro tem o direito desde o seu nascimento (se ele aceita e faz uso de sua herança ou não é outra coisa). O batismo é a declaração de que nossa herança está disponível a nós, para a aceitarmos.”
Assim sendo, o Batismo Infantil, o desejo de batizar nossos filhos(as) não deve ser por medo deles morrerem, nem porque os avós ou demais parentes assim desejam. O batismo infantil não deve ser realizado só porque outros batizam seus filhos. Não pode ser resumido apenas à uma moda ou a um rito. Ele deve ser algo consciente e responsável, fruto de fé e de amor a Deus. De forma que a criança batizada ao se tornar consciente do ato realizado pelos seus pais, diga “sim” a esta graça. Daí a importância da criança ser orientada nesse caminho, pois somente o batismo não é suficiente para a salvação. O batismo infantil tem de ser uma graça, jamais um fardo. Tem de ser uma porta aberta para Jesus. (²)

Testemunhos de alguns pais da igreja
Orígenes, que foi o mais completo conhecedor da Bíblia entre os escritores da Igreja primitiva, nascido na Grécia no ano de 185 d.C., cujo avô e bisavô eram cristãos quando os apóstolos ainda eram vivos, diz que receberam dos apóstolos o costume de batizar crianças e diz que era costume universal nas Igrejas. Diz ele: "Conforme os usos da Igreja, o batismo é ministrado as crianças".
Hermas, contemporâneo do apóstolo Paulo (Veja Rm 16.14), fala de crianças que receberam o selo do batismo, nestas palavras: "Ora, esse selo é a água do batismo".
Clemente, que viveu com o apóstolo Paulo (Fl 4.3), aconselhava os pais: "Batizai os vossos filhos e criai-vos na disciplina e correção do Senhor".
Irineu, nascido em 97 d.C., foi discípulo de um discípulo do apóstolo João e foi batizado quando criança. Afirmou: "A igreja aprendeu dos apóstolos a ministrar o batismo a crianças".
Cipriano, que viveu no 3 século, afirma que o batismo de crianças era prática comum dos cristãos.
Estas afirmações foram feitas e o batismo de crianças estava sendo praticado antes do catolicismo, pois os relatos dos pais da Igreja sobre a prática do mesmo, são do período em que a Igreja Cristã estava vivendo o Evangelho na sua "pureza".

Batismo de excepcionais
A orientação bíblica e pastoral para o batismo de excepcionais é praticamente a mesma para o batismo infantil. Cremos que Cristo morreu por elas, garantindo-lhes salvação. O batismo desses irmãos é exigência de Deus, é orientação da Igreja Metodista, é dever dos pais e é direito da criança (ou adulto) excepcional, Deus ama os chamados excepcionais e também os convida para ser Igreja, corpo de Cristo. Embora a confissão dos responsáveis seja a mesma, bem como a da Igreja, a diferença básica é que não se pode esperar evolução normal do testemunho daqueles que são batizados em tais circunstâncias. (³)